A Queda de Acre


Guillaume de Clermont defendendo Acre , em 1291
Pintura de Dominique Louis Papety, século XIX

São Luis ainda estava preso quando se deu o golpe militar que derrubaria o último sultão Ayúbida (dinastia de Saladino) do Cairo, levando os mamelucos ao poder. Estes eram escravos alforriados, originários das regiões pônticas e caucasianas, que compunham os principais regimentos do exército egípcio. Os conflitos entre os chefes mamelucos adiaram a estabilização do regime até a chegada do sultão Baibars (1260-77), que, junto com seus sucessores, se apoderou da Síria-Palestina mulçumana antes de aniquilar os Estados Latinos em algumas campanhas, na verdade, interrompidas por tréguas. Baibars morreu em 1277, mas seus filhos eram ineficientes e foram substituídos por Qalawun, o mais competente dos comandantes de Baibars.

No princípio, um medo residual de Carlos de Anjou deteve o novo sultão. Mas sua ambição maior sempre fora empurrar os Francos para o mar. E definitivamente... Logo a posição de Carlos de Anjou enfraqueceu-se devido às disputas políticas de sempre, e Qalawun percebeu que o momento chegara... Guillaume de Beaujeu, Mestre do Templo tentou avisar aos habitantes de Acre sobre os riscos que corriam. Infelizmente, arrogantes como sempre, estes não lhe deram crédito. Desesperado, Guillaume de Beaujeu enviou seu próprio mensageiro ao Cairo para negociar com Qalawun, que ofereceu a paz cobrando um cequim por habitante de Acre. Guillaume recomendou esta oferta à Alta Corte de Acre, mas a proposta foi desdenhosamente rejeitada. Aliás, ele mesmo foi acusado de traição e apupado pela multidão, quando deixava a sala de audiência. A partir de então os acontecimentos precipitaram-se. Qualawun adoeceu e morreu a caminho de Acre, mas foi substituído, com competência, por seu filho, al Ashraf. O Principado de Antioquia já desaparecera em 1268, o Crac dos Cavaleiros caíra em 1271, e Trípoli, dois anos depois em 1289. Restava Acre...

Aos 18 de Maio de 1291, finalmente cai a cidade de Acre. O marechal dos Hospitalários, Mateus de Clermont, e o Grão Mestre Templário, Guillaume de Beaujeu foram mortalmente feridos e morreram neste mesmo dia. O Mestre do Hospital, Jean de Villiers, também ferido, sobreviveu.
Dez Cavaleiros do Templo foram enviados ao acampamento sarraceno para negociar a rendição, mas já não havia regras... Eles foram presos e decapitados pelo sultão vencedor.

Desesperados, muitos habitantes de Acre atiraram-se ao mar, afim de nadarem até as galeras fundeadas ao largo. Conta-se que o patriarca, Nicolau de Hanape, caridosamente recolheu tantos deles, no escaler que o conduzia a uma galera, que o bote emborcou e o santo patriarca morreu afogado...

A torre do Templo resistiu ainda por 10 dias antes de ruir sobre seus últimos defensores, assim como seus assaltantes, no dia 28 de Maio.
Os membros das Ordens Militares, sobretudo os do Templo, contribuíram, ao lado de alguns barcos italianos, para evacuação de uma parte dos habitantes e os levaram para Chipre.

Fugiu quem pôde. Quem não pôde, foi morto ou transformado em escravo. Quanto às mocinhas e matronas cristãs, que permaneceram em Acre, estas, em sua maior parte, desapareceram para sempre nos haréns dos emires.