São
Luis ainda estava preso quando se deu o golpe militar que
derrubaria o último sultão Ayúbida (dinastia
de Saladino) do
Cairo, levando os mamelucos ao poder.
Estes eram escravos alforriados, originários das regiões
pônticas e caucasianas, que compunham os principais
regimentos do exército egípcio. Os
conflitos entre os chefes mamelucos adiaram a estabilização
do regime até a chegada do sultão
Baibars
(1260-77), que, junto com seus sucessores, se apoderou da
Síria-Palestina mulçumana antes de aniquilar os Estados
Latinos em algumas campanhas, na verdade, interrompidas por
tréguas. Baibars
morreu em 1277, mas seus filhos eram ineficientes e foram substituídos por Qalawun, o mais
competente dos comandantes de Baibars.
No princípio,
um medo residual de Carlos de Anjou deteve o
novo sultão. Mas sua ambição maior sempre
fora empurrar os Francos para
o mar. E definitivamente... Logo
a posição
de Carlos de Anjou enfraqueceu-se
devido às disputas políticas de sempre, e Qalawun
percebeu
que o momento chegara... Guillaume
de Beaujeu,
Mestre do Templo tentou avisar aos habitantes de Acre sobre os riscos
que corriam.
Infelizmente, arrogantes como sempre, estes não lhe deram
crédito.
Desesperado, Guillaume de Beaujeu enviou seu próprio
mensageiro ao Cairo para negociar com Qalawun, que
ofereceu a paz cobrando um cequim por habitante de Acre.
Guillaume recomendou esta oferta à Alta Corte de Acre,
mas a proposta foi desdenhosamente rejeitada.
Aliás, ele mesmo foi acusado de traição e apupado
pela
multidão, quando deixava a sala de audiência. A
partir de então os
acontecimentos precipitaram-se.
Qualawun adoeceu e morreu a caminho de Acre, mas
foi substituído, com competência, por seu filho, al
Ashraf. O Principado
de Antioquia já desaparecera
em 1268, o Crac
dos Cavaleiros caíra em 1271, e Trípoli,
dois anos depois em
1289. Restava Acre...
Aos 18 de
Maio de 1291, finalmente cai a cidade de Acre. O marechal dos
Hospitalários, Mateus de Clermont, e o Grão
Mestre Templário, Guillaume de Beaujeu foram mortalmente
feridos e morreram neste mesmo dia. O Mestre do Hospital, Jean de
Villiers, também ferido, sobreviveu.
Dez
Cavaleiros do Templo foram enviados ao acampamento sarraceno para
negociar a rendição, mas já não
havia regras...
Eles foram presos e decapitados pelo sultão vencedor.
Desesperados,
muitos habitantes de Acre atiraram-se ao mar, afim de nadarem
até as galeras fundeadas ao largo. Conta-se
que o patriarca, Nicolau de Hanape, caridosamente recolheu tantos
deles, no escaler que o conduzia a uma galera, que o bote emborcou
e
o santo patriarca morreu afogado...
A torre do Templo resistiu ainda por 10 dias antes de ruir sobre
seus últimos defensores, assim como seus assaltantes, no
dia 28 de Maio.
Os
membros das Ordens Militares, sobretudo os do Templo, contribuíram,
ao lado de alguns barcos italianos, para evacuação
de uma parte dos habitantes e os levaram para Chipre.
Fugiu
quem pôde. Quem não pôde,
foi morto ou transformado em
escravo. Quanto às mocinhas e matronas cristãs, que
permaneceram em Acre, estas, em sua maior parte, desapareceram para
sempre nos
haréns dos emires.
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