ALICE NO "PAÍS DAS MARAVILHAS"

No primeiro episódio (in Wonderland") Carroll, propositalmente ou não, descreve uma "catabase".
Ele conta a história de uma garotinha entediada e sonolenta, (ou seja, num estado alterado de consciência) que em dado momento vê algo inusitado, para o plácido e pacato campo inglês: um coelho branco, vestido como gente e capaz de falar.

Ela escolhe (pois trata-se de uma escolha pessoal) "aceitar" esta "realidade" e segue a aparição.Contudo, ao segui-la, Alice mergulha numa "toca de coelho", por onde acaba penetrando em um universo paralelo, onde as coisas são absolutamente literais, pois as palavras e expressões usadas no "mundo da superfície", aqui são tomadas ao pé da letra. Contudo as pessoas ou objetos, são invertidas como num espelho. Curiosamente, as situações e comportamentos, também o são...
E Alice é obrigada a caminhar por ali, sem perder a própria identidade, embora esteja passando por um aprendizado extremamente importante: o de que as coisas nem sempre são o que parecem ser...

No final, de "In Wonderland" ela depois de entender, mais ou menos, como mover-se num lugar absurdo como aquele, resolve negar este mesmo absurdo e o nomeia.
Neste momento livra-se dele e volta ao "normal", pois ao nomear o absurdo, ela o reduz ao que era desde o começo: mero fruto da sua imaginação.
Afinal, Alice é uma menina cheia de sólido bom senso vitoriano:

(...) "Mas que absurdo!" Alice disse alto, "Que idéia ter a sentença primeiro!"
"Cale a boca!" disse a "Rainha, virando um pimentão.
"Não calo!" disse Alice.
"Cortem-lhe a cabeça!" berrou a Rainha. Ninguém se mexeu.
"Quem se importa com vocês?", disse Alice (a esta altura tinha chegado ao seu tamanho normal), "não passam de um baralho!"
A estas palavras o baralho inteiro se ergueu no ar e veio voando para cima dela;
Alice deu um gritinho, um pouco de medo e um pouco de raiva, tentou repeli-los e se viu deitada na ribanceira, a cabeça no colo da irmã, que afastava delicadamente algumas folhas secas que haviam voejado das árvores até o seu rosto.
"Acorde Alice querida!" disse sua irmã. "mas que sono comprido você dormiu!"
E assim , ao " aceitar" sua prosaica a realidade, Alice ( já crescida) levanta-se do colo da irmã e vai correndo tomar o seu chá, pois que já era "tarde".



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