São
Bento nasceu por volta do ano 480 dC, numa família da
pequena nobreza que vivia nos montes Sabinos, ao sul de Roma.
Apesar de ser considerado o "patriarca dos
monges ocidentais", foi algo obscuro em seu próprio tempo.
Tudo que se sabe sobre ele deriva-se do segundo livro de "Diálogos",
do papa Gregório Magno, escritos por volta de 593-94.
Enviado à Roma para ser educado, chocou-se com a dissolução
de costumes então reinante, e justamente por isso, abandonou
a cidade e passou a viver como eremita, numa caverna na encosta de
uma montanha, em Subiaco.
Pouco depois, vieram juntar-se a ele outros
rapazes, também
desejosos de partilhar seu modo de vida e, segundo a Tradição,
Bento os dividia em pequenas comunidades de 12 membros.
Porém, em algum
momento entre 520 e 530, em virtude de uma intriga, ele abandonou a
comunidade
de Subiaco,
com um grupo de seguidores fieis, e mudou-se para Cassino, onde demoliu
em templo consagrado a Apolo e, sobre suas ruínas, fundou (e
fundamentou) o "Mosteiro de Monte Cassino", que ele próprio
dirigiu até sua morte.
Mas Apolo talvez não lhe tenha perdoado a destruição
do seu Santuário...
Em 577 da EC, Cassino foi saqueado pelos Lombardos, e permaneceu
abandonado em ruínas por 140 anos, quando foi então
reconstruído.
Infelizmente, em 1341, tornou a vir abaixo, por conta de um terremoto.
Houve ainda uma terceira reconstrução, mas o mosteiro
foi novamente destruído, desta vez pelas bombas norte-americanas,
em 1943.
Em todos os momentos de crise porém, seus monges procuraram
salvar em primeiro lugar seus preciosos documentos...
Contudo, São
Bento lhes havia dado uma Regra, cuja origem, aliás, é muito controvertida.
Possivelmente trata-se de uma
adaptação feita por ele a partir de outra regra, mais
antiga, conhecida como "Regra do Mestre", obra anônima,
composta na Itália uns 40 anos antes. Ambas as Regras porém,
eram baseadas na tradição
monástica oriental e nos escritos de João Cassiano.
A Regra Beneditina original continha um prólogo, seguido de
73 capítulos, que estabeleciam um plano detalhado e coerente
para regular a vida quotidiana em uma organização monástica.
São Bento reconhecia a vocação do eremita,
mas considerava a vida
cenobítica bem mais útil e saudável do que o
isolamento puramente
contemplativo.
Em virtude disso, determinou que os monges viveriam numa casa
comunitária e seriam todos leigos, inclusive o abade. Contudo,
era desejável que
uns poucos se ordenassem padres, para celebrar a Eucaristia semanal.
As famílias eram estimuladas a entregarem seus filhos ao mosteiro
para
que fossem educados como monges, prática que se tornou uma
importante fonte de recrutamento na Idade Média.
Sua Regra prevê ainda obediência irrestrita ao abade,
e noviciado de um ano para o postulante a monge, antes que este professasse
seus "votos", os quais incluíam, além do
voto de pobreza pessoal, a promessa de estabilidade, ou seja, a obrigação
de permanecer no mosteiro até a morte.
Pressupunha-se que a abadia seria sustentada sob a forma de
dotações,
principalmente terras, mas São Bento parece não
ter previsto a imensa riqueza fundiária que muitas das
abadias acumulariam nos séculos seguintes, em virtude
desta característica.
Como
o mosteiro deveria ser "uma escola a serviço do
Senhor", programada para treinar na vida espiritual os que nele
ingressavam, a Regra previa que o dia do monge fosse inteiramente
ocupado por uma rotina cuidadosamente programada, feita de orações
comunitárias, leituras pias e trabalhos manuais.
O trabalho manual era especialmente valorizado, pois São Bento
acreditava que "trabalhar é orar".
A estrutura do dia, chamada por ele "opus dei", era dividida
em quatro horas para estudo, quatro para os ofícios divinos,
e sete dedicadas aos trabalhos manuais. Havia o ofício divino
da noite, ou "Vigília" e o ofício das primeiras
horas do dia, ou "Matinas". A seguir vinham as "Laudes" e
o restante das horas canônicas : Prima, Terça, Sexta,
Nona, Vésperas e Completas. Com as Completas encerrava-se
o "opus dei" daquele dia.
Era recomendado ao monge que evitasse contatos desnecessários
com o
mundo exterior, mantendo-se em clausura o maior tempo possível,
mas a
Regra fazia da hospitalidade um dever sagrado. Assim, o hóspede
deveria ser recebido como se fosse o próprio Cristo. Embora
a regra incluísse um "Penitencial", (lista
de punições para violações da disciplina
monástica) apesar do que possa parecer, não era
excessivamente rigorosa ou cruel. Permitia sete horas de sono no
Inverno e seis no Verão, com direito à sesta. O suprimento
alimentar, embora não copioso, era razoavelmente adequado.
Era realmente prescrita a abstinência de carne, mas não
para os doentes. Além disso as refeições poderiam
incluir uma ração moderada de vinho.
Foi esta mesma
Regra que Roberto de Molesmes preocupou-se em recuperar quando
iniciou,
em Cîteaux, a reforma que visava maior austeridade
e ascetismo nos monastérios, conhecida como "movimento cisterciense".
Alguns anos depois, Bernardo, abade de Clairvaux, escreveu a Regra para os Cavaleiros do Templo.
São Bernardo também era
de origem cisterciense e, por isso mesmo, baseou-se inteiramente
(salvo as adaptações indispensáveis ao caráter
militar dos Templários) na antiga e austera Ordem de São
Bento de Núrcia.

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