Quando o
Conde de Champagne retornou
de uma das suas viagens à Terra
Santa, entrou em Contato com Stephen Harding, abade de Cîteaux,
e ofereceu à Ordem, um território situado na Floresta
de Bar-sur-Aube,
conhecido sob o nome de "Vale do Absinto", afim de ali criar
uma
abadia.
Para dirigir esta fundação, Stephen (ou Étienne)
Harding designou Bernardo
de Fontaine, nesta altura um jovem monge de Cîteaux.
Este escolheu doze companheiros (vários deles parentes seus)
e fundo
a famosíssima abadia de Clairvaux.
As lendas sobre São Bernardo (principalmente as de origem céltica)
dizem que ele na verdade seria um Druida, iniciado desde a infância,
aliás como boa parte dos monges de Cîteaux...
Por isso ele era sempre chamado como árbitro nas disputas entre
soberanos. Como é sabido,
arbitrar era uma das principais funções dos druidas.
E eram
respeitadíssimos.
Porém, Druida ou não, Bernardo foi um dos homens mais
extraordinários
do seu século.
Tinha devoção especial pela Virgem (que para ele nunca
foi "exatamente" a Srª José)
mas sim a Esposa do Verbo...
Foi ele quem cunhou o termo "Nossa-Senhora" ou "Notre
Dame",
embora, usasse também a curiosa expressão "Damedieu".
Sua forma de
cristianismo não
abordava apenas o "Jesus" de
carne e osso.
Ele era bem mais sofisticado do que isso
e, possivelmente, talvez caminhasse em direção à chamada "Revelação
Crística"... Quem saberá?
"O Reino de Deus está dentro de nós", afirmava ele. E
tal afirmativa soa bem mais gnóstica do que seria desejável aos dogmas católico-romanos.
Mais tarde, alguém se deu conta de que algo em
sua doutrina não
parecia lá
muito "ortodoxo", e Bernardo foi acusado de heresia.
Mas não durante sua vida... A insinuação foi póstuma,
pois dificilmente alguém ousaria enfrentá-lo de frente.
Bernardo de Clairvaux fazia papas e reis...
Como já comentei na página anterior, Bernardo
foi educado na Igreja de
Saint-Vorles, em Chatillon-sur-Seine, e conta-se uma história
desses tempos,
que mesmo alegórica, não deixa de ter um um significado
alquímico:
Havia em Saint-Vorles uma imagem da Mãe de Deus, feita em madeira
escura. Tratava-se de uma "Virgem Negra", como era comum
naqueles
tempos. Porém, quer a lenda, que achando-se um dia a orar diante da
imagem
desta Virgem, lhe perguntasse:
"Monstra te esse matrem..." Maria então, apertou o seio e três
gotas
de leite caíram sobre os lábios
do jovem monge.
O "leite da virgem" sempre foi uma alegoria alquímica, mas tal
lenda
poderia
também significar que Bernardo, nutrido pelo leite da Virgem Negra,
se abeberou nas fontes profundas da tradição druídica.
Ele mesmo afirmava que seus mestres eram os carvalhos e as faias.
Mas foi
um bom católico...

São Bernardo
e a Virgem |