O conde
Hughes nasceu em 1077. Era filho de Thibaut III, de Blois e
de Alex de Valois.
Coube-lhe Champagne como feudo, em 1093.
Esteve em contato com Stephen Harding (Saint Étienne, ou Santo
Estevão), abade de Cîteaux, por várias vezes...
Em 1104,
Hughes, conde de Champagne foi à Terra
Santa com um
séquito de cavaleiros. Entre eles estava também Hughes
de Payns.
O Conde era poderoso, e de Troyes, no trecho superior do Sena,
governava o grande e rico principado, que dantes havia feito parte
do reino franco ocidental, deixado por Carlos, o Calvo. Os
relatos sobre ele dão
conta de que teria sido um homem devoto,
e, possivelmente, infeliz no casamento.
Ele não acreditava na integridade da esposa e alimentava sérias
dúvidas quanto à origem de seu filho primogênito.
Parece que a
incerteza jamais deixou de atormentá-lo, mas não havia
o que
pudesse ser feito, senão rezar. Afinal o Conde de Champagne
e os
testes de DNA para confirmação de paternidade, infelizmente,
estiveram 900 anos distantes um do outro, na linha do tempo...
Em 1108, Hughes
de Champagne retorna à Europa, entretanto
não
se tem notícia se o outro Hughes, o de Payns, seu parente,
amigo
e vassalo, e que fizera parte do seu séquito durante a
peregrinação, retornou com ele ou ficou por lá. Seja
como for, o Conde volta a Jerusalém
em 1114, e pela terceira
e última vez, em 1125.
Essas idas e vindas são em si mesmas um feito notável,
tendo-se em
conta as dificuldades, despesas e riscos, que tais viagens
implicavam. Nunca ficou muito claro, que tipo de interesse (além
do devocional, é claro) ele poderia ter por lá. Cronistas
da época
sugerem que Hughes inicialmente teria a
intenção de ligar-se aos Hospitalários
de São
João, mas não
havia sido aceito por ser casado.
O Hospital acolhia cavaleiros casados, mas para tal era
necessário que a esposa concordasse e, além disso,
tomasse ela própria os véus de monja...
A condessa de Champagne recusou-se taxativamente a colaborar. Assim,
o conde repudiou-a, deserdou o filho, tomou o rumo de
Jerusalém e filiou-se ao Templo, cujo Grão Mestre,
Hughes
de Payns, fora seu antigo vassalo. Foi um arranjo no mínimo
curioso...
Nesta
ocasião, Hughes
de Champagne renunciou a todos os
seus bens materiais, fez votos de pobreza, castidade e
obediência e transmitiu o condado de Champagne a seu
sobrinho, Teobaldo.
Entretanto,
este não foi o único
ato penitencial do conde Hughes: uns dez anos antes, ele havia
doado uma extensão de terra
inculta e coberta por florestas, a mais ou menos 65 Km a leste
de Troyes, ao então jovem monge Bernardo de
Fontaines-le-Dijon, ninguém menos que o futuro São
Bernardo,
que lá fundaria a abadia de Clairvaux,
ramo de Cîteaux.
|