Cîteaux
(ou Cister) foi uma das novas Ordens religiosas, surgidas no
início do século XII, em resposta a um apelo por
maior ascetismo.
Fundada por Roberto, abade de Molesmes, o qual deixara sua
própria abadia, descontente com a frouxidão da observância
religiosa que então imperava.
Este nome
lhe veio a partir do pequeno povoado de Cîteaux,
em
Dijon. "Cister" é o topônimo derivado
do latim, "Cistercium",
pois
assim chamou-se a primitiva povoação romana, "antepassada"
de
Cîteaux.
O objetivo
da Ordem Cisterciense era voltar a observar literalmente
a antiga regra de São Bento,
já quase esquecida por
Cluny e seus
beneditinos.
Embora o próprio Roberto fosse obrigado a voltar a Molesmes,
sua
obra teve continuidade com os dois seguintes abades: Alberico
(1099 - 1100) e Santo Estevão Harding, morto em 1134.
Entretanto, a máxima expansão da Ordem ocorreu sob
a direção de São Bernardo de Clairvaux (ou
Claraval), figura eminente tanto na
própria Ordem quanto na Cristandade como um todo.Seu
crescimento foi fulgurante, e em 1132 já havia
casas
cistercienses em França, Itália, Inglaterra , Alemanha
e Espanha.
Logo a seguir atingia a Sicília, e outros países distantes,
como a
Noruega e a Romênia. Por volta de 1200 havia mais de 500 casas
cistercienses espalhadas pela Europa, e este número ainda
aumentaria em mais da metade até o final do século
XVI.
Os cistercienses
entraram com D. Henrique, duque de Borgonha, no que viria a ser
o Condado Portucalense, na primeira década
do século
XII.
Uma vez fundamentado o reino português, em 1140, pelo filho
de D.
Henrique, D. Afonso I, a Ordem de Cister acompanhou sua expansão
para o Sul e, em 1178, construiu o Mosteiro de Alcobaça.
Os cistercienses
dividiam-se em duas categorias distintas: Havia os "monges
do coro",
muitos dos quais eram padres e,
portanto, contavam com o privilégio de uma boa educação.
Os irmãos leigos cultivavam os campos, cuidavam do erário
e das
transações comerciais dentro do próprio mosteiro. Desta
forma, até mesmo os homens comuns, não
pertencentes à aristocracia, tinham a oportunidade
de ingressar na vida monástica.
Sua liturgia
era bem mais simples que a dos beneditinos, seus contemporâneos.
Suas construções monásticas também eram
mais singelas, com
poucos detalhes decorativos e, pelo menos no século XII, suas
igrejas
eram simples e quadrangulares.
Ao
contrário dos beneditinos, os de Cîteaux não
arrendavam suas vastas
propriedades a lavradores leigos. Visavam a auto-suficiência
cultivando
seu próprio trigo e criando seus rebanhos de ovelhas, que
lhes forneciam
a lã para os seus hábitos.
Para evitar
a vida mundana, estabeleciam-se de preferência
em lugares
ermos. Assim, a Ordem acabou tornando-se economicamente
importante, uma vez que foi responsável pela recuperação
e arroteamento
de muitos territórios marginais. A
abadia de Cister mantinha todas as outras casas sob estreita vigilância
e
esperava-se que cada abade cisterciense viajasse anualmente a Cîteaux
para um capítulo geral. Além disso, o abade de cada
casa-mãe deveria
visitar todas as suas filiais regularmente.
A Igreja acabou reconhecendo a utilidade desta estrutura constitucional,
e o
Concílio de Latrão (1215) impôs esta obrigação
a todas as outras ordens
religiosas.
|