A abadia de Cluny
foi fundada, em 910, pelo duque Guilherme, o Piedoso, da Aquitânia.
Colocada, desde o início, sob estrita proteção
do papado, alcançou seu
apogeu sob os abades Odilon (994-1048) e Hugo, o Grande (1049-1109).
Durante este período, contou com mais de 300 monges e chegou
a possuir cerca
de 200 dependências. Para
fazer face a tamanha expansão, a igreja abacial
precisou
ser reconstruída duas vezes em pouco mais de um século,
sendo Cluny II
consagrada em 981 e Cluny III, no início do século
XII.
Mais tarde porém, (entre 1122-57) sua decadência já
se tornara irreversível, mesmo
apesar dos
esforços do abade Pedro, o Venerável, pois a ordem
não
conseguiu fazer frente aos
movimentos cistercienses por maior ascetismo e austeridade.
Cluny havia ficado rica em demasia...
Bernardo
de Clairvaux, que usava impressionante tom de comando
para dirigir-se tanto aos papas quanto aos reis, chegou a repreender
o abade Pedro, com veemência (apesar do enorme poder deste),
em
cartas até hoje conservadas. Bernardo irritara-se contra o
esplendor de
Cluny, os excessos de sua liturgia, e a frouxidão da Ordem
em relação
aos seus monges.
Na verdade,
a Ordem de Cluny, ou dos "beneditinos reformados",
recebera seu nome por causa da abadia famosa, na Borgonha
francesa.
Embora seguissem nominalmente a Ordem de São Bento, os
cluniacenses davam grande ênfase ao elemento litúrgico
e formal, descurando-se
inteiramente do trabalho manual, tão caro a São Bento.
O trabalho passou a ser delegado a criados leigos, enquanto que
as terras da Ordem eram arrendadas a colonos.
|