Constantinopla


"Entrada dos Cruzados em Constantinopla" por Eugéne Delacroix
(IV Cruzada)

Bizâncio, a antiga cidade grega no Bósforo, foi renomeada Constantinopla por Constantino, o Grande, em 330 dC.
Acabou transformando-se na"Nova Roma", segunda capital do Império Romano e centro de irradiação do que é conhecido como" civilização bizantina".

A conversão de Constantino ao cristianismo, aliada à fundação de Constantinopla, acabou por determinar o futuro da parte oriental do Império Romano. Quando o Império Ocidental foi invadido pelos bárbaros, no século V, a
Nova Roma adquiriu ainda maior importância como residência do imperador e seu bispo, o Patriarca de Constantinopla.

Sua cultura era um curioso amálgama, resultante das civilizações grega, romana e cristã. Sua língua oficial era o grego, embora seus cidadãos se chamassem "romanos"... Suas leis baseavam-se no direito romano, mas suas vidas estavam estavam impregnadas de fé cristã em sua forma ortodoxa.

As diferenças entre os "romanos do oriente" e seus irmãos ocidentais acentuou-se ao longo dos séculos. Sob o imperador Leão III instalou-se inusitado puritanismo, pois este decretara que "a verdadeira religião não precisava de auxílios visuais. Isso refletiu-se no movimento iconoclasta que veio a seguir, aliás, logo, logo declarado herético pelos papas latinos... As diferenças entre os dois impérios aprofundaram-se cada ves mais, e assim, no Natal de 800, Roma deixou bem clara sua irritação contra Bizâncio, coroando um imperador de sua própria escolha. E a escolha do Papa Romano recaiu sobre Carlos Magno, o famoso "Charlemagne".

Curiosamente, o declínio de Bizâncio coincidiu com o soerguimento da Europa. Os ocidentais chegavam ao Oriente Médio, primeiro como pergrinos à Terra Santa, depois como cruzados.
Sua presença e ações acentuaram os preconceitos bizantinos contra eles,
e o cisma entre as Igrejas de Roma e Constantinopla, dramaticamente anunciado em 1054, era sintoma de uma divergência ideológica bem mais grave (e profunda) do que pareceria à primeira vista.

Seja como for, os mercadores venezianos, ávidos de bons negócios, que costumavam acompamhar os cruzados, adquiriram um extraordinário apetite pela riqueza de Bizâncio. Durante a Quarta Cruzada, que encontrou (ou perdeu) seu caminho para a Terra Santa, veio finalmente a oportunidade para saciar tal apetite. Foi assim que, durante algum tempo, Bizâncio e boa parte do seu território estiveram sob administração latina, estrangeira.
Em 1261, os invasores foram expulsos, mas Bizâncio (aí compreendidos seus sofisticados e refinados habitantes) jamais se recuperou totalmente da selvageria dos mal disfarçados bárbaros "latinos", ou do choque representado pela Quarta Cruzada...