Embora esta
fosse a determinação
de Clemente V, na verdade , nem
todos os Templários foram atirados à prisão,
torturados ou
queimados.
Mesmo em França, alguns conseguiram escapar, pois, os oficiais
de Filipe IV não eram
em número suficiente para deitar
mão em
todos eles. Os mais facilmente apanhados eram apenas agregados, gente
simples, ligadas ao Templo em funções mais modestas. Havia
também muitos
cavaleiros idosos, ex-combatentes, que
viviam em França, já reformados.
Entretanto, a cobiça por seus bens, deixava-os quase sempre
sem
proteção.
Sabe-se que Hubert Blanc, preceptor do Auvergne, conseguiu
refugiar-se na Inglaterra, mas foi preso e interrogado.
Nas cercanias de Lyon, muitos esconderam-se em conventos.
Havia ordens ibéricas
de cavalaria, modeladas pelo Templo:
Calatrava, Alcântara, Avis-et-Aile, Santiago da Espada.
Assim, quando da extinção da ordem, os irmãos
foram autorizados
a ingressar nas mesmas e parece que o fizeram em massa,
sobretudo, na ordem de Calatrava, de origem cisterciense, deles a
mais próxima.
Porém, estes
são
casos individuais e não dizem respeito à Ordem
como um todo. De maneira geral, a grande (e vergonhosa) verdade
é que nenhum soberano europeu defendeu o Templo.
Alguns por lhes cobiçarem as propriedades (o confisco de
bens
era uma opção irresistível), outros por não
estarem dispostos a
envolver-se numa contenda, ao memo tempo com a Igreja e o Rei de
França.
Portugal, no entanto, foi um caso à parte. Ou quase... El rei D.
Dinis (depois de uma troca de correspondência com o papa e uma ou
duas
bulas deste
último),simplesmente
transformou
o
Templo na "Ordem de Cristo".
Porém, mesmo em
Portugal, onde Templo sempre teve características um tanto
especiais, ligado como estava à propria origem do Estado Português,
sua proverbial indepedência
tornou-se muito limitada. Afinal, o Grão-Mestre da "novíssima" Ordem
de Cristo passara a ser o
próprio
rei e seus
sucessores.
Perdeu também sua característica internacional, já que
nenhum estrangeiro poderia ser aceito na Ordem, apenas e
tão
somente os chamados "portugueses
de quatro costados", poderiam pleitear sua admissão.
Como fica evidente, a norma dos "quatro costados" inviabilizava também
qualquer candidato cujos avós (bastava um deles) fossem estrangeiros.
Ou pior... Cristãos
novos...
Outro dado curioso pode ser facilmente observado na lista de Grão-Mestres
da Ordem de Cristo, onde se vê que as Rainhas regentes, por
morte d e seu "Rei-Grão-Mestre", assuniam o mestrado durante a menoridade
do infante. Isso deixa bem claro
que a tendência destes soberanos, digamos, "benevolentes", de um
jeito ou de outro, era manipular as ordens militares até transformá-las
num "negócio
de
família"...
Foi o que aconteceu em Aragão, Castela e Portugal.
Apenas os Hospital conservou laços com o exterior, no caso,
Rodes.
O papel das
Ordens militares portuguesas, em primeiro lugar a de Cristo,
diz respeito à expansão
colonial, como testemunham o
número de navegadores e conquistadores originários
de suas fileiras
(Vasco da Gama, e Cia), e o número de administradores fornecidos
por elas aos territórios coloniais: dos 32 vice-reis da Índia,
29
pertenciam à Ordem de Cristo. No
entanto, ao redescobrirem uma missão
mais em conformidade ao
seu ideal, as Ordens perdiam sua independência original,
para se
tornarem simples instrumentos da monarquia.
A evolução observada em Portugal , não foi diferente
daquela
verificada em Aragão e Castela.

O Arcano XVI do Tarot
de Marseille, conhecido como "A
Torre",
ou "A Casa de Deus", tem como significado geral "desastre"
ou tragédia brusca, que não pode ser evitada.
As cartas conhecidas do Tarot (lendas à parte), são
posteriores
aos Templários. Mera coincidência?
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