" Incêndio de uma torre octogonal" - Alegoria da destruição da Ordem do Templo.
(Chroniques de France de la condamnation des templiers, 1493)

Embora esta fosse a determinação de Clemente V, na verdade , nem todos os Templários foram atirados à prisão, torturados ou queimados.
Mesmo em França, alguns conseguiram escapar, pois, os oficiais de Filipe IV não eram em número suficiente para deitar mão em todos eles. Os mais facilmente apanhados eram apenas agregados, gente simples, ligadas ao Templo em funções mais modestas.
Havia também muitos cavaleiros idosos, ex-combatentes, que viviam em França, já reformados. Entretanto, a cobiça por seus bens, deixava-os quase sempre sem proteção. Sabe-se que Hubert Blanc, preceptor do Auvergne, conseguiu refugiar-se na Inglaterra, mas foi preso e interrogado. Nas cercanias de Lyon, muitos esconderam-se em conventos.

Havia ordens ibéricas de cavalaria, modeladas pelo Templo: Calatrava, Alcântara, Avis-et-Aile, Santiago da Espada. Assim, quando da extinção da ordem, os irmãos foram autorizados a ingressar nas mesmas e parece que o fizeram em massa, sobretudo, na ordem de Calatrava, de origem cisterciense, deles a mais próxima.

Porém, estes são casos individuais e não dizem respeito à Ordem como um todo. De maneira geral, a grande (e vergonhosa) verdade é que nenhum soberano europeu defendeu o Templo.
Alguns por lhes cobiçarem as propriedades (o confisco de bens era uma opção irresistível), outros por não estarem dispostos a envolver-se numa contenda, ao memo tempo com a Igreja e o Rei de França.

Portugal, no entanto, foi um caso à parte. Ou quase...
El rei D. Dinis (depois de uma troca de correspondência com o papa e uma ou duas bulas deste último),simplesmente transformou o Templo na "Ordem de Cristo".
Porém, mesmo em Portugal, onde Templo sempre teve características um tanto especiais, ligado como estava à propria origem do Estado Português, sua proverbial indepedência tornou-se muito limitada. Afinal, o Grão-Mestre da "novíssima" Ordem de Cristo passara a ser o próprio rei e seus sucessores. Perdeu também sua característica internacional, já que nenhum estrangeiro poderia ser aceito na Ordem, apenas e tão somente os chamados "portugueses de quatro costados", poderiam pleitear sua admissão.

Como fica evidente, a norma dos "quatro costados" inviabilizava também qualquer candidato cujos avós (bastava um deles) fossem estrangeiros. Ou pior... Cristãos novos...
Outro dado curioso pode ser facilmente observado na lista de Grão-Mestres da Ordem de Cristo, onde se vê que as Rainhas regentes, por morte d e seu "Rei-Grão-Mestre", assuniam o mestrado durante a menoridade do infante. Isso deixa bem claro que a tendência destes soberanos, digamos, "benevolentes", de um jeito ou de outro, era manipular as ordens militares até transformá-las num "negócio de família"... Foi o que aconteceu em Aragão, Castela e Portugal.
Apenas os Hospital conservou laços com o exterior, no caso, Rodes.

O papel das Ordens militares portuguesas, em primeiro lugar a de Cristo, diz respeito à expansão colonial, como testemunham o número de navegadores e conquistadores originários de suas fileiras (Vasco da Gama, e Cia), e o número de administradores fornecidos por elas aos territórios coloniais: dos 32 vice-reis da Índia, 29 pertenciam à Ordem de Cristo. No entanto, ao redescobrirem uma missão mais em conformidade ao seu ideal, as Ordens perdiam sua independência original, para se tornarem simples instrumentos da monarquia. A evolução observada em Portugal , não foi diferente daquela verificada em Aragão e Castela.

O Arcano XVI do Tarot de Marseille, conhecido como "A Torre",
ou "A Casa de Deus", tem como significado geral "desastre"
ou tragédia brusca, que não pode ser evitada.
As cartas conhecidas do Tarot (lendas à parte), são posteriores
aos Templários. Mera coincidência?