Frederico Hohenstaufen "Stupor Mundi"


Frederico II de Hohenstaufen

Não se pode entender o contexto das Cruzadas sem abordar-se a figura notável que foi Frederico II Hohenstaufen, Imperador do Sacro Império Romano Germânico (1212-50).

Frederico II era neto do famoso Frederico I, o Barba Ruiva, e volta e meia é confundido com avô pelos menos avisados. Na verdade, Frederico II foi um homem impar e, ao contrário de São Luís de França, que apesar de também estadista era um soberano típico do seu tempo, Frederico sempre esteve muito adiante do seu. Rei alemão desde 1212, rei da Sicília desde 1198 e rei de Jerusalém desde 1229, Frederico era filho do Imperador Henrique VI e da Imperatriz Constanza d'Altavilla, herdeira do Reino Normando da Sicília. O pai morreu-lhe aos três anos, e a mãe levou-o para a Corte, em Palermo, onde ela própria veio a falecer um ano mais tarde.
A criança foi educada por tutores selecionados pelo papa Inocêncio III, o guardião nomeado por Constança, e sua educação foi um amálgama das influências gregas, normandas e muçulmanas que formavam a corte siciliana.

Em 1213, Inocêncio III convocava uma nova Cruzada contra os Sarracenos do Oriente. Mesmo o escandaloso desvio da Quarta Cruzada para Constantinopla, afigurava-se ao papa como uma "desgraça com seu lado bom"... Afinal, agora todas as forças possíveis da Cristandade estavam efetivamente sob seu comando. Um verdadeiro presente de Deus ao seu papa...
Até mesmo os constantes atritos entre Capetos e Plantagenetas, em França, e Welfs e Hohenstaufens, na Alemanha, serviam aos planos do Pontífice, pois assim ele não teria rivais na liderança da Cruzada. Frederico havia prometido chefiar a nova cruzada, mas ocupado com a consolidação dos seus outros reinos, atrasou-se consideravelmente...

Inocêncio morreu antes de ver seus planos concretizados. Seu sucessor, Honório III, já era bem idoso e não tinha a mesma energia. Entretanto, nessas alturas os preparativos para a Quinta Cruzada já haviam sido acionados e praticamente andavam sozinhos.Honório também faleceu, mas o novo papa, Gregório IX, irritado com os atrasos de Frederico, ( que deveria ter participado da Cruzada entre 1215 e 1220, mas só começara seus preparativos em 1227) excomungou-o.

Mesmo excomungado, Frederico, que aos 36 anos, por sua extraordinária reputação já havia recebido o título de "stupor mundi et immutator mirabilis", partiu finalmente para a Terra Santa. A Quinta Cruzada já havia fracassado por falta de liderança, entretanto, quando Frederico chegou, tanto os Templários, quanto os Hospitalários de São João, recusaram-se a aceitar seu comando, pois não lhes parecia correto aceitar um excomungado como líder... Entretanto, seguiram-no um dia depois.

Frederico não se apertou. Ele era absolutamente eclético, tanto por sua cultura invejável quanto por sua percepção do mundo. Sua guarda de elite, por exemplo, era sarracena. O Imperador jamais dividia as pessoas por credo cor ou raça, mas tão somente por seu potencial.
Frederico era ateu e considerava Moisés, Cristo, e Maomé como "os três maiores impostores que já haviam pisado a face da Terra". Sua conduta sexual também não era compatível com os preceitos da Igreja. Frederico gostava de mulheres e possuía um verdadeiro harém...

Para resumir, o Imperador encontrou uma situação tão difícil na Terra Santa, que a melhor saída pareceu-lhe a diplomacia. Obteve enorme êxito, realizando através de acordos o que não lhe teria sido possível conseguir pelas armas. No dia 18 de fevereiro de 1229, foi assinado um acordo que devolvia Jerusalém aos latinos. Foi cedida também Belém, uma faixa de terra da costa em Jafa, Nazaré, e partes da Galiléia, que abrangiam os
castelos de Monfort e Toron. Em Jerusalém, o Monte do Templo, com a Cúpula da Rocha e a Mesquita de al-Aqsa, deveriam permanecer em mãos muçulmanas, com livre acesso concedido aos mulçumanos que por lá quisessem orar. Todos os prisioneiros seriam libertados e estabeleceu-se uma trégua pelos próximos 10 anos.

O acordo fora um triunfo diplomático, mas desagradou a gregos e troianos... Não havia qualquer menção a "Cristo", ou falava-se em algum
tipo de "libertação dos lugares santos"... Os Templários ficaram particularmente injuriados, pois seu Templo permanecera em mãos muçulmanas. Não ficaram menos insatisfeitos os outros altos dignitários cruzados, pois um acordo sem derramamento de sangue parecia-lhes esvaziado do seu caráter penitencial.

Frederico, agora rei de Jerusalém, voltou à Itália, deixando ordens aos Cavaleiros Teutônicos para reconstruírem as muralhas de Acre e guardar Jerusalém. O papa suspendeu a excomunhão, quando ele voltou à Itália, contudo, seus inimigos haviam aumentado de número...