Gatos
Verso & Prosa
Muitos
artistas, escritores e poetas amaram seus gatos, (ou os gatos
em geral) e os imortalizaram em sua Arte, talvez por serem
eles companheiros silenciosos e discretos.
Um gato jamais incomodará seu dono, exigindo atenção,
de cinco em cinco minutos, como faria um cãozinho.Ao contrário,
parecem gostar do silêncio das bibliotecas, e sentem-se muito
bem nos estúdios. Saiba que a experiência de trabalhar-se
apenas na companhia do gato, pode ser bem engraçada...
Inicialmente, ele se moverá por toda parte, numa espécie
de "missão de reconhecimento", não importa
o quão acostumado ele esteja ao lugar, e em geral fará isso,
com o "ron-ron" ligado em volume tão alto, que você poderá ouvi-lo
mesmo de algum ponto mais afastado da peça.
Feliz da vida, ele andará calmamente sobre os moveis, (adora
passear sobre mesas abarrotadas de livros e papeis) sobre o micro,
experimentará a cesta da impressora, e sem dúvida, virá cheirar
o teclado.
Os gatos adoram o teclado, e acredito que o ruído das teclas
ecoe em seus ouvidos como uma cantiga de ninar.
Na verdade, tudo isso é um ritual, e ele o cumprirá todas
as vezes, como se fosse a primeira, embora, volta e meia se aproxime
de você para dizer "miau", enquanto demonstra seu agrado
com esfregadelas ou amorosas cabeçadas em suas pernas e pés.
Mesmo assim, esta atividade toda não dura mais que uns dez minutos,
pois a seguir ele se considera "pronto", e trata de escolher
um cantinho para ser e estar, em geral, o seu colo...
Naturalmente você o empurrará de volta ao chão,
pois é muito incômodo digitar-se com o gato ao colo, mas
ele ainda subirá de volta por umas cinco ou seis vezes, antes
de conformar-se, pois os gatos são criaturinhas decididas, e
dificilmente aceitam um "Não" como resposta.
Contudo, depois de uma última tentativa, e sem ressentimento
algum, (apenas um miau de "Ora, não posso, porque?")
ele finalmente desiste e escolhe outro sítio, (quase sempre
o monitor, talvez por ser quentinho, mas também por lhe permitir
ficar exatamente de frente para você) e agora, ficará tão
quieto e silencioso, como se fizesse parte da mobília.
Ainda assim, se você olhar para ele, (embora, ele vá desviar
rapidamente o olhar, pois que isso é uma característica
da sua espécie) perceberá que o fitava com grande atenção,
mas seu olhar também lhe transmitirá uma afeição
igualmente intensa.
Isto é realmente impressionante, pois este tipo de afeto, é um
sentimento difícil de expressar-se num instante tão fugaz
e em tamanho silêncio, e será justamente aí que
estará toda a diferença, entre seu gato e o resto da
mobília...
Por essas e por outras, jamais se esqueça de que ele o ama,
com todas as forças do seu coraçãozinho de gato,
mesmo que se zangue com você, ou emburre de vez em quando. Como
todos nós...
Taine,
o historiador francês, escreveu certa vez: "Conheci
muitos pensadores e muitos gatos, mas a sabedoria dos gatos é infinitamente
superior."
Mais tarde, Hemingway, que em sua temporada em Havana, viveu cercado
por dúzias de bichanos, transformou um deles , o "Bose",
num personagem inesquecível de "As Ilhas da Corrente".
Sobre
eles, nosso Drummond escreveu:
"Um
gato vive um pouco nas poltronas, no cimento ao sol, no
telhado sob a lua.
Vive também sobre a mesa do escritório, e o salto preciso que ele
dá para atingi-la é mais do que impulso para a cultura. É o movimento
civilizado de um organismo plenamente ajustado às leis físicas, e
que não carece de suplemento de informação. Livros e papéis, beneficiam-se
com a sua presteza austera. Mais do que a coruja, o gato é símbolo
e guardião da vida intelectual."
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