Em Jerusalém,
Hugo de Payns apresentou-se rei Balduino de Bourg
(que havia sucedido ao seu primo Balduino I) e ao Patriarca Warmund
de
Picquigny.
Fazia-se acompanhar
pelo cavaleiro Godofredo de Saint-Omer e, nesta ocasião,
propuseram, ao rei e ao patriarca, a organização
de uma
comunidade de cavaleiros que seguiria a regra de uma ordem religiosa,
mas que se devotaria à proteção dos peregrinos
na rota de Jaffa à Jerusalém.
A regra que tinham em mente era a de Santo Agostinho de Hipona,
até então, seguida pelos Cônegos da Igreja do
Santo Sepulcro de
Jerusalém.
A proposta
foi aprovada, tanto pelo rei, quanto pelo patriarca, e assim,
no Natal de 1119, Hughes de Payns e outros oito cavaleiros,
entre eles, Godofredo de Saint-Omer, Archambaud de Saint-Aignan,
Payen de Montdidier, André de Monbard, Geoffroy Bissot, e
um cavaleiro chamado "Rossal" (ou talvez "Rolando").
Nesta ocasião,
todos eles fizeram votos de pobreza, castidade e
obediência, na Igreja do Santo Sepulcro, diante do Patriarca.
Chamaram a si mesmos de "Os Pobres Soldados de Jesus Cristo",
mas
a princípio não usavam um hábito que os distinguisse,
e sim as
roupas de sua profissão secular.
Afim de proporcionar-lhes
uma renda suficiente, o patriarca e o rei
dotaram-nos com vários benefícios. O rei Balduino providenciou-lhes
um lugar para viver, encontrando espaço no palácio
em que ele
transformara a mesquita de al-Aqsa, na borda sul do Monte do Templo,
conhecido pelos cruzados como "Templus Salomoni".
Em conseqüência, eles vieram a ser conhecidos sucessivamente
como "Os Pobres Soldados de Jesus Cristo e do Templo de Salomão", "Os
Cavaleiros do Templo", "Os Templários", ou simplesmente "O
Templo."
Talvez a intenção
original de Hugo de Payns e seus companheiros
fosse apenas retirar-se para um mosteiro, ou talvez fundar uma
confraria leiga, ao estilo dos Hospitalários de São
João, que havia
sido uma iniciativa dos mercadores de Amalfi, antes da Primeira
Cruzada.
Miguel, o Sírio,
cronista medieval sugere que teria sido de Balduino
a idéia de que eles continuassem como cavaleiros combatentes,
mesmo tendo feito votos monásticos, pois havia falta de uma
milícia
organizada.
Mais tarde,
uma reunião de líderes
leigos e espirituais em Nablus,
em Janeiro de 1120, saudou o projeto de Payns "tanto por seu
potencial espiritual, quanto prático".
Neste mesmo
ano (1120), Foulques D'Anjou, poderoso nobre da França
Central, foi em peregrinação à Terra
Santa e associou-se aos
Pobres Soldados de Jesus Cristo. Parece que ele havia desenvolvido
um elevado conceito sobre o Mestre deles, Hughes de Payns e, após
seu
regresso, dotou a Ordem com uma renda regular. Vários outros
nobres
francos fizeram o mesmo.
Em 1125, outro
Hughes, o importantíssimo Conde
de Champagne, dado a idas e vindas à Terra Santa, voltou
a Jerusalém
pela terceira e última vez. Neste meio tempo ele havia
repudiado a esposa adúltera (pelo menos era o que ele
achava), deserdado o filho, que acreditava não fosse seu,
e transmitido o condado
de Champagne ao seu sobrinho, Teobaldo.
Assim, o conde renunciou a todos os seus bens materiais, fez
votos
de obediência, castidade e pobreza para, em seguida, juntar-se
ao
Pobres Soldados de Cristo, justamente sob o comando do seu antigo
vassalo (e possível parente), Hughes de Payns.
Sigilo do Grão Mestre
na qualidade de
magister de construtores.
"
Sigillum Tuba Templi Christi" - (1255)
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