Ricardo Coração de Leão enristando com Saladino

A mais mais nova das três grandes religiões mundiais depende dos ensinamentos de Maomé, tal como formulados no Corão. A palavra "Islã" significa "rendição", por isso, só é considerado um autêntico muçulmano aquele que "se rende à vontade de Deus, conforme foi revelada por seu "verdadeiro profeta".
Em essência, os ensinamentos islâmicos são produtos da experiência religiosa no Oriente Próximo, e os historiadores modernos tendem a tratar o Judaísmo, o Cristianismo e o Islamismo como três ramos distintos de uma mesma Fé. Mesmo que seus membros jamais se entendam uns com os outros. Ou, quem sabe, por isso mesmo...

O Islã é rigidamente monoteísta, reconhecendo a validade do Velho Testamento judaico, dos profetas e de Jesus Cristo; o próprio Abraão é considerado como o fundador do Santuário de Meca, com sua sagrada Pedra Negra, a Kaaba.
O principal ponto de divergência reside no fato de que o Islã crê ser Maomé o mais recente e o mais perfeito dos profetas, a quem Deus teria revelado Seus desígnios e Sua vontade para o Mundo, nos escritos do Corão. Aceitam Jesus como um grande Profeta, mas jamais como um Deus Encarnado. Além disso, rejeitam com firmeza o princípio da Trindade, que consideram um desavergonhado disfarce para encobrir o politeísmo católico.

As atitudes muçulmanas poderiam variar em relação aos não-crentes, mas a tendência mais freqüente era para a tolerância, desde que os impostos fossem pagos e as escrituras respeitadas.
Entretanto, podiam ser ferozes quanto ao culto de ídolos ou a rejeição da unicidade da Divindade.
Por outro lado, sua própria unidade política sempre foi completamente ilusória.
Uma dinastia Omíada (descendente de Omar) persistiu na Espanha até o século XII, enquanto que outras dinastias brotavam por todos os lados do complexo muçulmano. Assim, havia os fatimidas no Egito (909-1171), os turcos seljúcidas na Síria e na Anatólia (1077-1307) e os almorábidas e almôadas (1130-1269) no Magrebe e na Espanha. A intrusão dos Mongóis, no século XIII, levou à queda do califado abássida, quando o Irã, Iraque e Síria caíram em poder dos invasores.

A perturbação política, provocada pela criação do Reino Cruzado (1100-1292), foi ainda agravada por poderosos movimentos turcos. O período final da Idade Média viu o surgimento dos turcos otomanos como a potência muçulmana dominante. Entretanto, durante todo este tempo, o Islã floresceu e desenvolveu-se em considerável integridade. Para o mundo europeu ocidental, o Islã era de tempos em tempos "a grande ameaça", a "religião vinda de fora", claramente não-pagã e muito mais que uma simples heresia. Os conflitos na Sicília, Espanha e nas Cruzadas, avivaram esta percepção e, naturalmente, os temores.

Mas também houve tempos de contato mais pacífico, sobretudo no século XII, com os letrados judeus da Espanha. A Europa Ocidental deve muito de conhecimentos matemáticos, médicos e filosóficos às fontes árabes, onde a herança da cultura grega havia sido muito melhor preservada pelos humanistas muçulmanos.