Luis IX,
rei de França
entre 1126-70 herdou o Reino ainda menino, mas
conservou-o até a maioridade graças à enérgica
regência de sua mãe,
Branca de Castela. Em 1134, casou-se com a princesa Margarida de
Navarra, e viveu feliz com ela. Tiveram onze filhos...
Luis
tinha um temperamento forte, mas era quase tão
expansivo e alegre quanto o Imperador Hohenstaufen,
Frederico II. Contudo, ao contrário deste, foi católico fervoroso e sempre
manteve um comportamento pio.Como
as eternas disputas entre o Papa e Frederico II não
deixassem
espaço para grandes diplomacias, o rei Luis, reconhecido e
respeitado
por sua honra e sensatez, era constantemente chamado para arbitrar
questões de Estado ( e com sucesso) entre os príncipes
europeus.
As relíquias, verdadeiras ou falsas, foram a grande paixão
do homem medievo, além de conferirem enorme prestígio ao seu
possuidor. O rei Luis, verdadeiramente um homem do seu tempo, não fugiu à regra
e tinha paixão por elas. Chegou mesmo a comprar dos Bizantinos a
famosa "Coroa de Espinhos", e mandou construir a "Saint
Chapelle", em Paris, para abrigar sua portentosa aquisição...
Mas santo ou não, ele também não tinha o mínimo
escrúpulo em usar de violência contra os "inimigos da Fé Cristã".
Certa vez comentou com Jean de Joinville, cronista e seu amigo pessoal, que "em tais casos, um
cavaleiro não deveria defender seus dogmas senão pela
espada, e que
deveria enfiá-la na barriga do patife até onde pudesse
penetrar"
No mesmo ano
do desastre cruzado de La Forbie, o rei Luis adoeceu, e
como era verdadeiramente um homem devoto, compreende-se facilmente sua promessa de tomar a cruz, caso recuperasse a saúde por
intervenção da Graça Divina. Curou-se, e fiel aos seus votos preparou-se para a Cruzada.
Após
competente campanha para angariar fundos (e o inevitável
aumento de impostos), embarcou para a Terra Santa, em Agosto
de 1248, seguido por seus irmãos e vassalos relutantes,
mas acompanhado também por seus filhos e pela esposa Margarida.
Sua mãe,
Branca de Castela, ficou em França, mais uma
vez, como regente.
Em Chipre reuniu-se
com os outros cruzados, como Jean de Joinville, senescal de Champagne,
e aí permaneceu durante o inverno, zarpando
para o delta do Nilo, em junho de 1149.
Aí chegando, embora aconselhado a esperar pelo resto da sua
esquadra, dispersada por uma tempestade, o rei insistiu em
desembarcar e liderou seus homens contra os sarracenos que os
esperavam na praia.
Incapazes
de resistir ao ímpeto franco,
os muçulmanos
recuaram para Damiette, queimaram o bazar e por fim abandonaram a cidade.
Luis ocupou-a, fez dela sua capital provisória no ultramar,
mandou buscar
a esposa em Acre, e por lá ficou , esperando que as águas
do Nilo
baixassem, mas também aguardando reforços de França,
que afinal
chegaram, comandados por seu irmão, o conde de Poitou.
Em Novembro
do mesmo ano, por insistência de seu irmão
Robert, conde de
Artois, o rei Luis aventurou-se a marchar para o Sul, ao longo da
margem
ocidental do Nilo, rumo a Mansurah.
À
frente dos seu exército marchavam os Cavaleiros do Templo,
sob o Grão
Mestre Guillaume de Sonnac, escolhido após a morte do chefe
templário
anterior, Armand du Périgord, numa prisão egípcia.
Logo atrás
do Templo, marchavam o conde de Artois e os ingleses, estes sob
o comando do
conde de Sallisbury.
Esta força, desobedecendo às ordens do Rei Luis no
sentido de esperar
pelo resto do exército, atravessou uma passagem do rio, e
atacou o acampamento sarraceno, cujo chefe, Fakhr ad-Din, apanhado
se surpresa, entrou em combate, sem tempo sequer de vestir a armadura,
e foi morto pelos cavaleiros Templários.
Roberto de
Artois, então, mesmo contra a vontade do Grão
Mestre do Templo, Guillaume
de Sonnac, que tentou detê-lo por pressentir o
perigo,
continuou o ataque.
Roiberto , porém, fez-se de surdo e, segundo testemunhas do
combate, gritando insultos ao chefe do Templo, perseguiu os cavaleiros
sarracenos em direção a Mansrurah. Sem alternativa,
os Templários e os cavaleiros ingleses seguiram-no,
mas
foi um desastre.
Os mamelucos da guarda de
elite, ofereceram pouca resistência
inicial e
deixaram que os cavaleiros latinos penetrassem na cidade, antes de
atacá-los.
Impossibilitados de manobrar nas ruelas estreitas, e apanhados de
surpresa pelos ataques vindos dos telhados, os cruzados foram massacrados.
Trezentos cavaleiros foram mortos, sendo que destes, 280 eram Templários.
Perderam a vida também, tanto o conde de Artois, quanto o
de Sallisbury.
Sobreviveu o Grão Mestre Sonnac, que após perder um
olho , retirara-se
do combate.
Após um dia de encarniçados combates, o Rei Luis forçou
os sarracenos a
retornarem a Mansrurah, mas as escaramuças continuaram nos
dias que se
seguiram, com grandes baixas no exército do rei.
Aos 11 de
fevereiro do ano seguinte, os mamelucos atacaram
de novo e,
o nesta batalha, o Mestre do Templo, à frente dos poucos cavaleiros
que
lhe restavam, perdeu seu segundo olho em combate, mas desta vez não
resistiu ao ferimento e morreu a seguir. Já era o prenúncio do desastre. O exercito de Luis
IX agüentou como pode
mas os mamelucos cortaram o acesso à Damietta, cortando também
o aporte de suprimentos frescos
O próprio rei viu-se vítima de desnutrição
e desenteria crônica.
Ainda assim, recusou-se a abandonar seus homens e fugir.
Afinal, Luis
IX e seu irmão
foram feitos prisioneiros.
Libertado após o pagamento do resgate, que lhe custou
também
Damietta, novamente o rei recusou-se a partir.
Brioso, e envergonhado pelo malogro da aventura, ignorou as cartas
da
Rainha Regente, Branca, que lhe determinava regressar sem demora,
ou
os conselhos de seus barões, os quais instavam com ele no
mesmo sentido.
Luis liberou seus barões para retornar, mas permaneceu em
Acre com a
esposa e os filhos.
A estes fatos seguiram-se
muitas escaramuças, traições
políticas no
Ocidente, idas e vindas, acordos descumpridos, e até mesmo
negociações com o famoso "Velho da Montanha",
o chefe da seita dos Assassinos.
Abreviarei a história por fugir ao objetivo deste Site, mas
o Leitor
interessado encontrará relatos sobre as aventuras do Rei Luis
na
bibliografia indicada...
Na verdade,
os latinos sofreram uma perda após a outra,
mas Luis permaneceu no Oriente Médio ainda por quatro anos,
antes de retornar à
França.
Em 1270, Luis
IX resolve empreender outra Cruzada, a oitava, e partiu rumo
a Tunis. Esta, porém, não chegou a seconcretizar,
pois ele faleceu, vítima de
desenteria, ao desembarcar em Cartago.

Luis
IX de França proferindo uma sentença.
Iluminura do século XII
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