O
Mito Templário é inesgotável...
Há especulações para todos os gostos credos ou
tendências,
e para todas elas seus autores apaixonados tratam de encontrar
provas absolutamente irrefutáveis...
Foi assim que a "bibliografia templária" avolumou-se
assustadoramente ao longo dos séculos.
Geralmente
são pesquisas difíceis, feitas em "segunda
mão", indiretas,
baseadas em bulários e cartulários, pois os cronistas
da época são
escassos e pouco confiáveis, já que o rigor histórico
era coisa completamente
desconhecida. Cita-se
com freqüencia
os relatos de Jean, Senhor de Joiville, embora
datem da época de São Luis. Aliás, foram
escritos depois da morte
deste, e já sob Filipe, o Belo.
Jean de Joinville, na verdade foi um nobre de Champagne que
acompanhou Luis IX em sua primeira Cruzada, mas que durante a
segunda tentativa de empreender uma nova cruzada, feita "Rei
Santo",
deixou-se ficar bem quietinho em seus domínios na Champagne... Não obstante, Joinville testemunhou durante o processo de
canonização
de Luis IX, em 1282, e esteve presente quando da exumação
do seu
corpo, em 1297.
Por ordem da Rainha, esposa de Filipe IV,o Belo, escreveu a "Histoire
de
Saint Louis", à qual incorporou reminiscências
autobigráficas de suas próprias (e relevantes) experiências
nas batalhas do Ultramar.
Joinville
faz muitas referências ao Templo, mas é preciso
que se tenha
em mente, que a sua "Histoire de Saint Louis", além
de ter sido uma "obra
encomendada", só foi terminada em 1308, quando os Templários
já haviam sido presos..
Uma
outra fonte de pesquisa é fornecida
por Guillaume de Tyr (ou "Guilherme de Tiro",1130-1186)
em sua "Histoire d'Outremer". Guilherme compilou textos
mais antigos
do que ele, e além disso, sua obra teve continuadores, alguns
anônimos. Por
outro lado, há romances famosos onde os templários
são enfocados.
Um exemplo é o "Ivanhoé" de Sir Walter Scott,(1775-1832),
mas que não
demonstra grande simpatia pelo Templo.
Por
outro lado, já em nossos dias, as opiniões
e "achismos", os mais variados, proliferam
por todos os lados. Sem se comentar as multiplas e
extravagantes "teses",
as quais são "provadas" por
seus autores
com minúcias de detalhes. Fazer o quê? Assim são
os mitos...
Multifacetados, sempre. Os
satanistas de plantão,
por exemplo,juram por todos os santos que os
Templários, além de magos poderosos, foram
realmente adoradores do
Diabo...
Por
sua vez, os mais românticos
inclinam-se por sonhar com a sagrada
busca ao Santo Graal...
Acreditam até que o "Perceval", de Chrétien
de Troyes", teria sido bem mais
do que um romance do ciclo arturiano.
Neste caso, o livro seria uma espécie de "roteiro" para
encontrar-se o castelo
do rei Pescador e o Graal. Claro... O Graal.
Acreditam
que a "Gaste Forêt",
(embora esta se localize em Gales, no livro
do Chrétien) seria apenas um "disfarce" para
encobrir as velhas florestas da
Champagne, onde São Bernardo (que seria um druida) construiu
Clairvaux,
e os bravos (e iniciados) Cavaleiros Templários, muitas
das suas comendadorias e bailiados. Já os mais aventureiros, não
deixam por menos:
Serão capazes de "por a mão no fogo" por
sua crença de que Hughes de
Payns teria ido buscar na Terra Santa, nada mais, nada menos,do
que a Arca
da Aliança, com as Tábuas da Lei e tudo...
Tabuas estas, que os judeus guardavam, mas que jamais souberam usar...
Afinal, como é mais que sabido, Salomão precisou encomendar
seu Templo a
Hiran de Tiro...A
explicação é engenhosa, e especula que as "Tábuas
da Lei", não
conteriam regras de conduta moral, mas sim as "Leis e Medidas
Universais" que permitiriam manipular o Cosmos.
Além disso, não teriam sido entregues a Moisés
no Sinai, coisa nenhuma...
Ao contrário, Moisés as teria roubado aos egípcios,
que por sua vez, as haviam
recebido dos antigos Atlantes, seus primitivos guardiões...
Aliás, esta "apropriação
indébita" mosaica
teria sido a causa da perseguição
sofrida pelos hebreus ao tentarem deixar o Egito...
Entretanto,
especula-se que os templários, através
de seus "Mestres Ocultos", talvez
São Stephen Harding e São Bernardo de Clairvaux,
teriam decifrado boa parte
deste conhecimento, notadamente a que conteria segredos sobre
a arte de
construir. Isto explicaria as incríveis catedrais góticas
com seus arcos
ogivais e abóbadas nervuradas, que se multiplicaram por
toda a Europa à
partir do século XII, como contraponto às construções
românicas
vigentes até então, caracterizadas por pesadíssimos
domos, sustentados por
paredes largas e deselegantes Mas
isto não é tudo. Há os que acreditam que
os Mestres Templários foram
grandes alquimistas e sua fortuna se originava do ouro e da prata
que
fabricavam em segredo...
Ou, como queriam seus inimigos, que eles haviam se associado à seita
dos
Assassinos e partilhavam os segredos e rituais do Velho da Montanha... Outros
ainda, afirmam que a Ordem do Templo sempre possuiu duas
regras:
Uma externa, cujo Grão Mestre comandava a Milícia
e tratava dos assuntos
laicos, e uma outra secreta, esotérica, escondida em algum
Mosteiro de
Cîteaux, com ritos iniciáticos próprios, e cujo
primeiro Grão Mestre teria sido
o próprio São Bernardo... Ou ainda mais estranho....
Alguns especulam que as Centúrias de Michel de Notre-Dame,
(Nostradamus)
não teriam sido escritas por ele. Ao contrário,
seriam textos templários muito
anteriores a Nostradamus, e não conteriam "previsões"
do futuro, mas sim ordens
a serem cumpridas (por quem de direito, é claro) em épocas
futuras pré-determinadas... Aliás, isso muito engenhoso...
Provavelmente haverá algum bando de malucos, à solta por aí,
empenhando-se interpretar (e cumprir) as tais diretrizes...
Quem saberá? Mas que é arrepiante.... Isso lá é.
Reza
uma lenda (maçônica, naturalmente), que mal Jacques de
Molay e Geoffroy de Charnay acabaram de
ser consumidos pelas chamas, o povo precipitou-se sobre as cinzas
ardentes,
a fim de as recolher como relíquias...
À noite, sete maçons, (sete, nem mais, nem menos) guiados por um
Templário,
foram ao local do suplício,
e tomando um punhado de cinzas, lançaram-no na direção
do palácio real,
pronunciando o Macbenach, como tinham feito outrora os companheiros,
quando Hiran de Tiro foi assassinado.
Afinal, o Grão Mestre possuía entre seus atributos
da sua dignidade, o ábaco e o bastão de
Magister dos construtores do Templo... Bernardo de Clairvaux dizia:
"Quando entra mim o Verbo, meus vícios fogem,
minhas afeições carnais são dominadas, minha
alma
se transforma e o homem interior se renova".
Seja
como for, aqui vai a décima
terceira quadra, da segunda Centúria de Nostradamus:
Le corps sans âme
plus n'être en sacrifice
Jour de la mort mis en nativité
l'esprit divin fera l'âme félice
Voyant le Verbe en son éternité.
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