O Monasticismo


Interior de um eremitério cristão primitivo

Desde os primórdios da era cristã, parece certo que São Paulo e outros teóricos da Igreja, embora não o condenassem, consideravam o casamento como obstáculo à perfeição. Mais tarde, Agostinho, bispo de Hipona, fortaleceria esta teoria em seus escritos.

Seria oportuno salientar que este apreço pelo celibato, possivelmente originário das seitas essênias, contrariava frontalmente a própria doutrina judaica, pois o Livro do Gênesis prescreve vigorosa e indubitavelmente: " Sede fecundos, multiplicai-vos, enchei a terra e submetei-a".

Compreende-se a contradição, pois em Mateus, 38:12, lemos que Jesus louva os "eunucos, que assim se fizeram por causa do Reino dos Céus", acrescentando: " Quem tiver capacidade para compreender, compreenda".
Isso levou ao culto da virgindade pela Igreja primitiva, tendência que algumas vezes foi longe demais. No século III, por exemplo, o jovem Orígenes levou o conselho ao pé da letra e auto- mutilou-se...

Exageros à parte, esta necessidade de solidão para meditar e orar, aliada à supervalorização do celibato, forneceu as bases do monaquismo. O termo vem do grego, "monos", e significa "solitário", pois o monasticismo cristão, em seus primórdios, foi um modo de vida adotado por ascetas solitários ou anacoretas.
Tanto na Europa ocidental quanto no Oriente bizantino, o monaquismo medieval teve sua origem em duas correntes que se manifestaram no Egito, no começo do século IV:
Uma delas era a vida eremítica (do grego" eremus", deserto) adotada pelos anacoretas do deserto, cujo pioneiro e líder foi Santo Antão. A outra foi a vida cenobítica (do grego koinon, "comum") dos monges que seguiam um regime de vida em comum, agrupados em núcleos organizados.
O início deste tipo de organização é atribuído a São Pacômio, que estabeleceu comunidades de homens e mulheres na região de Tebas, por volta do ano 320 dC.

O movimento monástico propagou-se, do Oriente para o Ocidente, através da disseminação da literatura sobre os padres do deserto, estimulada também pela migração de São Cassiano, cujos escritos contribuíram para formar uma tradição monástica ocidental.

Durante os séculos V e VI, os mosteiros multiplicaram-se pela Gália, Itália, Espanha e Irlanda.
Na Gália e na Inglaterra anglo-saxônica as fundações monásticas vieram na esteira das missões cristãs aos povos germânicos, mas o monasticismo celta começou através de São Columbano, que fundou os famosos centros de Luxeuil e Bobbio.

Uma curiosíssima instituição da Gália (século VII), reproduzida também na Inglaterra, foi o "mosteiro duplo", instituição para monges e monjas que viviam (pelo menos teoricamente) em aposentos separados, sob a direção de uma abadessa, usualmente de sangue real. Surge então (durante o século VI dC) um homem verdadeiramente extraordinário, reconhecido como "Santo" até pelos não-cristãos, ou mesmo pelos mais impenitentes ateus. Trata-se de Bento de Núrcia. Para saber um pouco mais sobre ele, siga em frente ou clique nas letrinhas vermelhas...