EDGAR ALLAN POE

NOTAS BIOGRÁFICAS

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Edgar Allan Poe
1809-1849

Edgar Allan Poe nasceu aos 19 de janeiro de 1809, filho de um casal de atores mambembes, gente muito pobre. O pai desapareceu quando o garoto tinha pouco mais de um ano e a mãe, Elizabeth, atriz de algum talento, morreu (presumivelmente tuberculosa) antes que o filho completasse os três anos.

Foi adotado por um rico casal de exportadores de fumo, John e Francis Allan. Por conta disso, o menino poderia ter tido o privilégio de uma boa educação formal. Realmente, estudou nas melhores escolas da costa leste americana e aos dezessete anos, já era aluno de Direito, na Universidade da Virgínia.

Infelizmente, desde cedo revelou-se um aluno instável, rebelde e problemático. Viciou-se precocemente em álcool e morfina, tornando-se também um jogador compulsivo. Entretanto, sua criatividade continuava impressionante, embora a leitura também fizesse parte das suas compulsões. Na altura, conheceu Elmira Royster, uma das suas grandes paixões.

Ainda na Universidade, fez dívidas absurdas e acabou indispondo-se com o pai adotivo. Isso levou-o a fugir e alistar-se no exército sob nome falso: "Henry Le Rennét". Assim, engenhosamente, escapuliu ao mesmo tempo, do pai adotivo, dos credores, de si mesmo (e de suas desilusões amorosas), pois Elmira havia casado...

Curiosamente, no exército ele teve tempo para escrever e ainda por cima, sua passagem por lá rendeu-lhe uma recomendação para West Point...
Ao abandonar West Point, reuniu o que lhe sobrava de dinheiro e integridade física (muito pouco), somou ao ímpeto criativo (este, abundante) e investiu na carreira jornalística.

Durante toda a sua vida foi um crítico mordaz e implacável, embora isento. Contudo, tais características pessoais tanto despertavam admiração, como lhe rendiam inimigos, sendo que o segundo "efeito" ocorria em velocidade alarmante.

Tornou-se amigo de Charles Dickens ("Oliver Twist") durante sua estadia na Inglaterra.

Os poemas foram sua obcecação, mas deixou-nos também contos, críticas, ensaios e artigos que seduziram primeiro o público francês e só depois, ironicamente, americanos e ingleses. De acordo com Jorge Luís Borges, Poe foi o criador do romance policial como gênero literário, pai de Sherlock Holmes de Arthur Conan Doyle e do Hercule Poirot de Agatha Christie, entre todo os outros.
Charles Baudelaire (Les Fleurs du Mal), mesmo sem conhecê-lo pessoalmente, dizia que ele fora "sua alma gêmea em vida e obra, um exemplo a ser seguido". Quanto ao "exemplo a ser seguido", bem... Parece que Baudelaire realmente levou isso ao pé da letra...

Entretanto, Poe foi fonte de inspiração também para Mallarmé, Arthur Rimbaud, Paul Valéry, Lautréamont, H. P. Lovecraft, Dostoiévski, Júlio Verne, Apollinaire e até Stephen King. Isso além de influenciar profundamente, músicos, coreógrafos, criadores de "comics" e cineastas até os dias de hoje.

Contudo, (como por azar, costuma acontecer aos gênios) sua vida foi infeliz e seus breves e intensamente vividos quarenta anos de existencia, não lhe reservaram grandes momentos de alegria. Ou glória... O reconhecimento pleno de sua genialidade só foi acontecer após sua morte. Durante sua vida, Poe foi infeliz e tremendamente desajustado.

Ainda assim nada o impedia de escrever e sua verve sempre foi irresistível, apesar da miséria. Como contista e crítico iniciou sua fase de sucesso (se é que pode ser assim chamada) e escrevia para jornais de Baltimore, Richmond e New York, onde publicou (quase sempre a preço vil) clássicos como "O Relato de Arthur Gordon Pym" e "Manuscrito Encontrado Numa Garrafa". Neste periodo de relativo reconhecimento, escreveu também "A Queda da Casa de Usher", "A Sombra", "A Conversa de Eiros e Charmion" e o quase autobiográfico "Willian Wilson".

Levou uma vida sucida (a cada dia afundava-se mais no rum e na morfina), cheia de festas, saraus e noitadas. Apesar disso, continuou senhor de si e manteve durante algum tempo o pulso firme, a caligrafia boa, sua impressionante criatividade de sempre, o vocabulário ferino e a língua afiada. Publicou, entre 1831 e 1848, obras definitivas como "Contos do Grotesco e do Ababesco", "Romances em Prosa", "Eureka, Um Poema em Prosa" e o eterno "O Corvo e Outros Poemas".

Após 1847, Poe começa manifestar os primeiros sintomas de desgaste físico: problemas coronarianos e cérebro lesado pelo álcool e pelas drogas, obrigavam o poeta a constante supervisão médica. Como jornalista fazia das viagens uma necessidade constante da profissão e, num destes deslocamentos de barco rumo à Filadelfia, desceu em Baltimore, provavelmente embriagou-se, adoeceu e morreu, praticamente sozinho.

“Histórias Extraordinárias” é o título da tradução que Baudelaire fez de alguns contos de Edgar Allan Poe para o francês que, segundo alguns críticos, é melhor que a versão original destes. Foi sob este título que três cineastas europeus filmaram contos do grande escritor norte-americano, dando origem a uma das mais originais interpretações da obra deste mestre da literatura fantástica.


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