Notas Preliminares


Godefroi de Bouillon- afresco. Castelo de La Manta, Norte da Itália, por Giácomo Jaqueiro
O costume de Godefroi está de acordo com os cânones do século XV- Observe as insígnias do S.Sepulcro

A História Oficial relata que, no início do século XII, nove cavaleiros originários do Nordeste de França e Flandres, depois de algumas idas e vindas à Terra Santa, criaram a Ordem dos Pobres Cavaleiros de Cristo.
Seus nomes eram Hughes de Payns, Geoffroy Bisol, Payen de Montdidier, André de Montbard, Godefroy de St-Omer, Rosal (ou Roland) Archambaud de St-Amand, Godemar e Geoffroy. Alguns deles são conhecidos apenas por seus prenomes e acredita-se que tenham sido escudeiros dos demais. Oficialmente seu objetivo era proteger as rotas da Terra Santa e os peregrinos que se aventuravam até Jerusalém. Para que se estabelecessem, lhes foi outorgado um terreno situado nas ruínas do antigo Templo e, por conta disso, o grupo passou a chamar-se "Cavaleiros do Templo".

Em 1127, O papa Honório II convocou um concílio, em Troyes, que ratificou oficialmente a existência da Ordem, mas sobretudo assegurou-lhes total independência moral e financeira em relação aos soberanos temporais... Tratava-se de uma Ordem Internacional, e os Templários se reportavam diretamente ao Papa. Este concílio lhes daria igualmente um código de conduta ou "Regra", que fixava também sua hierarquia. Assim, consagrou-se o novo (e polêmico) conceito do "monge-combatente".

A partir do Concílio de Troyes, os Templários passaram a contar com grande simpatia e se beneficiaram enormemente do sentimento de piedade das famílias nobres que, naquela época, se esforçavam para sustentar Cruzados e peregrinações. Desta forma, as grandes famílias não só investiam na possibilidade de receberem feudos e possessões no Ultramar, como também garantiam (quando chegasse o momento) um lugar bem confortável na Jerusalém Celeste... Donativos passaram a afluir em grande quantidade, sob a forma de dinheiro, terras e castelos, para ajudar aqueles que consideravam mais atraente salvar a própria alma combatendo o "Bom Combate" literalmente, ao ar livre e em terras estrangeiras, do que fazer a mesma coisa de forma "virtual", travando a sua, digamos, " luta espiritual", trancafiados no interior de um mosteiro...

Estima-se que o Templo chegou a possuir, principalmente em França, mais de mil propriedades. A Ordem inaugurou um tipo de economia paralela (e livre de impostos), capaz de suprir os peregrinos de víveres, moeda de troca, e mercadorias de todos os tipos.
Naturalmente, esta "economia" templária" foi em parte responsável pelo grande impulso de crescimento da Europa do seu tempo. Com o correr dos anos, o Templo desenvolveu um dualismo complementar: Na Metrópole funcionava uma espécie de "Intendência Econômica", e no Ultramar estava lotado o exército regular e permanente do Reino Franco de Jerusalém.

As Cruzadas e as batalhas se multiplicam ao mesmo tempo que novos irmãos Templários eram recrutados. Muitos milhares de cavaleiros do Templo perderam a vida lutando para salvaguardar o Reino de Jerusalém. Seis de seus Grãos Mestres morreram em combate.
Porém,
à medida que o tempo passava, foi ficando cada vez mais difícil conter o inimigo, apesar das incríveis fortificações que os cristãos "plantaram" em pontos estratégicos do Reino Latino no Ultramar. Os desastres avolumam-se. Em 1270, São Luis de França, já com a saúde combalida pelas dificuldades da sua primeira Cruzada, adoece e morre ao desembarcar em Tunis, antes mesmo de iniciar o que se chamaria a "Oitava Cruzada".

O Reino Franco de Jerusalém, que em seu apogeu chegou a englobar os atuais Estados de Israel, Líbano, parte da Síria e da Jordânia, viu-se reduzido a pequenos territórios à sombra das poucas fortalezas que haviam restado. Em 1291, vinte anos depois da última tentativa de Cruzada feita por São Luis de França, St. Jean d'Acre, o último bastião franco no Ultramar, caiu nas mãos dos muçulmanos.
Num primeiro momento os Templários recuaram para Chipre, na esperança de reorganizar-se para empreender uma nova cruzada de reconquista. Entretanto, face ao imobilismo dos soberanos europeus, eles deixaram Chipre e optaram por suas possessões no Ocidente.

Em Paris ficava a principal Casa do Templo, representando uma verdadeira "cidade dentro da cidade", pois, por seus estatutos, a Ordem não devia obediência senão ao papa.
É claro que esta situação deixou Filipe IV extremamente desconfortável. Sem falar na sua situação financeira que não era das melhores: Filipe devia dinheiro ao Templo. E muito...
Por outro lado, os Cavaleiros do Templo estavam inativos e seu porte era considerado "arrogante", fato que não seria de se estranhar: tratava-se de militares curtidos pela guerra e afeitos ao comando. Entretanto, seu status de "intocáveis", sua fabulosa riqueza, mas principalmente sua derrota recente, não tardaram atrair sobre eles antipatia e descrédito. Inveja, esta já havia. E desde sempre...

Filipe, o Belo, e seus conselheiros avaliaram rapidamente que tipo de vantagem poderiam auferir desta situação e agiram sem demora. Assim, em 13 de Outubro de 1307, o "Rei Maldito" mandou prender todos os Templários em solo francês, sob o pretexto de heresia, sodomia, e outras acusações sórdidas, as quais visavam principalmente ligá-los a heresias conhecidas, (como o catarismo, por exemplo) para com isso atirá-los nas garras da Inquisição. A isso seguiu-se um "Processo Político", onde os Templários não tiveram oportunidade de defesa. Foram torturados, mas sobretudo, traídos pelo papa Clemente V, que covardemente deixou-os à mercê de Filipe o Belo.

A Ordem do Templo foi abolida durante o Concílio de Vienne, em 1312, entretanto, as acusações imputadas contra ela, jamais foram oficialmente comprovadas. Ainda assim, seu último Grão Mestre, Jacques de Molay, foi queimado vivo na ponta da Ilha de Cité, a 18 de Março de 1314.

Curiosamente, mal se apagaram as chamas do sacrifício, a Ordem invadiu o imaginário popular e renasceu, mais poderosa que uma Fênix, sob a forma de MITO. O heroísmo e a bravura de seus Cavaleiros, mais que evidenciados pelos bons serviços prestados em seus quase duzentos anos de existência, seu trágico fim, os impressionantes protestos de inocência e a dignidade com que Jacques de Molay enfrentou o suplício, e até mesmo as acusações de magia e bruxaria aventadas durante o processo, contribuíram para criar a aura de mistério que, desde então, passou a envolver o Templo. Mistérios reais ou imaginários e lendas de todo o tipo enraizaram-se profundamente no mito templário. As especulações sobre eles fascinam as pessoas até hoje. São de todo tipo, e vão desde a busca do Graal e da Arca da Aliança, até aposse e guarda das " Leis Universais", saber esotérico passado apenas a uns poucos Iniciados, destinados a serem "Mestres do Universo"... Seria mesmo?