A História
Oficial relata que, no início
do século XII, nove cavaleiros originários do Nordeste
de França e Flandres, depois
de algumas idas e vindas à Terra Santa, criaram a Ordem dos Pobres
Cavaleiros de Cristo.
Seus
nomes eram Hughes de Payns, Geoffroy Bisol, Payen de Montdidier, André de
Montbard, Godefroy de St-Omer, Rosal (ou Roland) Archambaud
de St-Amand, Godemar e Geoffroy. Alguns
deles são conhecidos
apenas por seus prenomes e acredita-se que
tenham sido escudeiros dos demais. Oficialmente
seu objetivo era proteger as rotas da Terra Santa e os peregrinos
que se aventuravam até Jerusalém. Para
que se estabelecessem, lhes foi outorgado um terreno situado
nas ruínas do antigo Templo e, por conta disso,
o grupo passou a chamar-se "Cavaleiros do Templo".
Em 1127, O
papa Honório II convocou um concílio, em Troyes,
que ratificou oficialmente a existência da Ordem,
mas sobretudo assegurou-lhes total independência moral
e financeira em relação aos
soberanos temporais...
Tratava-se de uma Ordem Internacional, e os Templários se
reportavam diretamente ao Papa.
Este concílio lhes daria igualmente um código de conduta
ou "Regra", que
fixava também sua hierarquia. Assim, consagrou-se o novo
(e polêmico) conceito do "monge-combatente".
A partir do
Concílio
de Troyes, os Templários passaram a contar com grande
simpatia e se beneficiaram enormemente do sentimento de piedade
das famílias nobres que, naquela época, se esforçavam
para sustentar Cruzados e peregrinações. Desta
forma, as grandes famílias não só investiam
na possibilidade de receberem feudos e possessões no Ultramar,
como também garantiam (quando chegasse o momento) um lugar
bem confortável na Jerusalém
Celeste... Donativos
passaram a afluir em grande quantidade, sob a forma de dinheiro,
terras e castelos, para ajudar aqueles que consideravam mais atraente
salvar
a própria alma combatendo o "Bom Combate" literalmente,
ao ar livre e em terras estrangeiras, do que fazer a mesma coisa
de forma "virtual", travando a sua, digamos, "
luta
espiritual", trancafiados no interior de um mosteiro...
Estima-se que
o Templo chegou a possuir, principalmente em França, mais de
mil propriedades. A Ordem inaugurou um tipo de economia paralela
(e livre de impostos),
capaz
de suprir os peregrinos de víveres, moeda de troca, e mercadorias
de todos os tipos.
Naturalmente, esta "economia" templária" foi
em parte responsável pelo
grande impulso de crescimento da Europa do seu tempo.
Com o correr dos anos, o Templo desenvolveu um dualismo complementar:
Na Metrópole funcionava uma espécie de "Intendência
Econômica", e no Ultramar estava lotado o exército
regular e permanente do Reino Franco de
Jerusalém.
As Cruzadas
e as batalhas se multiplicam ao mesmo tempo que novos irmãos
Templários eram recrutados.
Muitos milhares de cavaleiros do Templo perderam a vida lutando para
salvaguardar o Reino de Jerusalém.
Seis de seus Grãos Mestres morreram em combate.
Porém, à medida
que o tempo passava, foi ficando cada vez mais difícil
conter o
inimigo, apesar das incríveis fortificações
que os cristãos "plantaram" em
pontos estratégicos do Reino Latino no Ultramar.
Os desastres avolumam-se. Em 1270, São Luis de França,
já com a saúde
combalida pelas dificuldades da sua primeira Cruzada, adoece e morre
ao desembarcar em Tunis, antes mesmo de iniciar o que se chamaria
a "Oitava
Cruzada".
O Reino Franco
de Jerusalém,
que em seu apogeu chegou a englobar os atuais Estados de Israel,
Líbano, parte da Síria e
da Jordânia, viu-se reduzido a pequenos territórios à sombra
das poucas fortalezas que haviam restado. Em
1291, vinte anos depois da última tentativa de Cruzada
feita por São Luis
de França, St. Jean d'Acre, o último bastião
franco no Ultramar, caiu nas mãos dos
muçulmanos.
Num primeiro momento os Templários recuaram para Chipre, na
esperança
de reorganizar-se para empreender uma nova cruzada de reconquista.
Entretanto, face ao imobilismo dos soberanos europeus, eles deixaram
Chipre
e optaram por suas possessões no Ocidente.
Em Paris ficava a principal Casa do Templo, representando uma verdadeira "cidade dentro da cidade", pois, por seus estatutos, a Ordem não
devia
obediência senão ao papa.
É claro que esta situação
deixou Filipe IV extremamente desconfortável. Sem falar na
sua situação
financeira que não era das melhores: Filipe devia dinheiro
ao Templo. E muito...
Por outro lado,
os Cavaleiros do Templo estavam inativos e seu porte era considerado "arrogante",
fato que
não seria de se estranhar: tratava-se
de militares curtidos pela guerra e afeitos ao comando.
Entretanto, seu status de "intocáveis", sua
fabulosa riqueza, mas principalmente sua derrota recente, não
tardaram atrair
sobre eles
antipatia e descrédito. Inveja, esta já havia. E desde sempre...
Filipe, o
Belo, e seus conselheiros avaliaram rapidamente que tipo de vantagem
poderiam auferir desta situação e agiram sem
demora.
Assim, em 13 de Outubro de 1307, o "Rei Maldito" mandou
prender
todos os Templários em solo francês, sob o pretexto
de heresia, sodomia,
e outras acusações sórdidas, as quais visavam
principalmente ligá-los a heresias conhecidas, (como o catarismo,
por exemplo) para com isso atirá-los
nas
garras da Inquisição. A
isso seguiu-se um "Processo Político", onde os
Templários não tiveram
oportunidade de defesa. Foram torturados, mas sobretudo, traídos
pelo papa
Clemente V, que covardemente deixou-os à mercê de Filipe
o Belo.
A Ordem do
Templo foi abolida durante o Concílio
de Vienne, em 1312,
entretanto, as acusações imputadas contra ela, jamais
foram oficialmente
comprovadas.
Ainda assim, seu último Grão Mestre, Jacques de Molay,
foi queimado vivo
na ponta da Ilha de Cité, a 18 de Março de 1314.
Curiosamente,
mal se apagaram as chamas do sacrifício,
a Ordem invadiu
o imaginário popular e renasceu, mais poderosa que
uma Fênix, sob a forma
de MITO.
O heroísmo e a bravura de seus Cavaleiros, mais que evidenciados
pelos bons serviços prestados em seus quase duzentos anos
de existência,
seu trágico
fim, os
impressionantes protestos de inocência e a dignidade com que
Jacques de
Molay enfrentou o suplício, e até mesmo as acusações
de magia e bruxaria
aventadas durante o processo, contribuíram para criar a aura
de mistério que,
desde então, passou a envolver o Templo. Mistérios
reais ou imaginários
e lendas de todo o tipo enraizaram-se profundamente no mito templário.
As especulações
sobre eles fascinam as pessoas até hoje.
São de todo tipo, e vão desde a busca do Graal e da
Arca da Aliança, até aposse e guarda das " Leis
Universais", saber esotérico
passado apenas a uns poucos Iniciados, destinados a serem "Mestres
do Universo"... Seria mesmo?
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